Pesquisa mostra que crianças em risco de desenvolver transtornos mentais, como depressão e TDAH, podem estar mais propensas a serem vítimas de bullying.

Uma pesquisa publicada no JAMA Psychiatry em abril deste ano trouxe resultados importantes sobre o risco de exposição ao bullying, encontrando grandes associações entre exposição ao bullying e vulnerabilidades genéticas para transtornos mentais, como depressão e TDAH, sugerindo que a predisposição genética de vulnerabilidades e características individuais está associado à exposição ao bullying.
Os pesquisadores estudaram 5.028 crianças da região de Avon, no Reino Unido, que participavam do  Avon Longitudinal Study of Parents and Children (Estudo Longitudinal de Pais e Filhos de Avon), com 14.062 participantes. Os participantes nasceram entre 1 de abril de 1991 e 31 de dezembro de 1992.
Os dados foram coletados quando estas crianças estavam nas idades de 8, 10 e 13 anos através de uma versão modificada do Bullying and Friendship Interview Schedule – um instrumento que avalia bullying – e de informações genéticas destas crianças. As maiores associações encontradas foram para o risco genético de vulnerabilidades em saúde mental, incluindo o diagnóstico de depressão e TDAH, seguido de tomada de risco, índice de massa corporal (IMC) e inteligência.
Dra. Tabea Schoeler, pesquisadora associada da Faculdade de Ciências do Cérebro da University College London e coautora do estudo, disse em uma entrevista à Newsweek: “Comparado a investigações anteriores, este estudo investigou de forma mais sistemática as vulnerabilidades e características individuais que contribuem para a vitimização do bullying. Usamos designs geneticamente informados para melhor identificar essas vulnerabilidades e características individuais “.
"Particularmente interessante é o fato de que os fatores identificados se relacionam principalmente às vulnerabilidades de saúde mental."
Dra. Tabea Schoeler
Pesquisadora associada da Faculdade de Ciências do Cérebro da University College London
“Em contraste, não encontramos um efeito de outros fatores previamente implicados na vitimização do bullying (por exemplo, neuroticismo). Isso sugere que associações previamente relatadas podem ser causadas por sintomas de saúde mental concomitantes que não foram considerados simultaneamente”. No entanto, Schoeler salientou que o estudo não explica como os problemas de saúde mental pré-existentes aumentam o risco de bullying: uma questão que pesquisas futuras poderiam tentar responder.
A pesquisa oferece uma nova visão sobre possíveis métodos para lidar com o bullying, continuou ela. “Nossas descobertas são parte de um corpo de pesquisa que sugere que abordagens individualizadas podem ser importantes no futuro. Por exemplo, oferecer suporte de saúde mental para os mais vulneráveis ajudará a reduzir os sintomas e potencialmente reduzir o risco de exposição ao bullying”.

Fontes:

Gander, K.. “Children at risk of depression and ADHD more likely to be bullied.ScienceDaily”. Newsweek, 3 April 2019. <https://www.newsweek.com/children-risk-depression-and-adhd-more-likely-be-bullied-1384498>.
 

Schoeler T, Choi SW, Dudbridge F, et al. Multi–Polygenic Score Approach to Identifying Individual Vulnerabilities Associated With the Risk of Exposure to Bullying. JAMA Psychiatry. Published online April 03, 2019. doi:10.1001/jamapsychiatry.2019.0310

Texto original: Newsweek
Traduzido e adaptado por Leonardo Seda

Leonardo Seda

Estudante do 9º semestre de Psicologia no Centro Universitário São Camilo. Coordenador da equipe de graduandos no Estudo MAPPA. Aluno de iniciação científica do Prof. Dr. Guilherme Vanoni Polanczyk. Músico e piloto amador de kart nas horas vagas

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