Um artigo publicado na edição de Julho do Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry mostra que algumas doenças psiquiatras na infância estão relacionadas à um maior risco de desenvolverem vícios (álcool, nicotina ou transtornos relacionados à uso de substâncias) no futuro.

Não é a primeira vez que temos evidências da associação entre transtornos mentais infantis e uso de substâncias, do contrário, existe uma base sólida de estudos neste assunto. Com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na infância, por exemplo, temos uma variedade de estudos explorando diversos aspectos de sua relação com o uso de álcool, drogas e outras substâncias e vício na idade adulta, tais como o papel das comorbidades e da gravidade dos sintomas.

Ainda assim, os autores do artigo ressaltam que os estudos anteriores são limitados em certos pontos e que ainda existem questões não respondidas à respeito de transtornos mentais infantis específicos e argumentam uma inconsistência entre os resultados de outros estudos em relação ao TDAH em comorbidade com Transtorno Opositor-Desafiador (TOD) e Transtorno de Conduta (TC) e o seu papel para risco ao uso de substâncias.

A equipe que conta com pesquisadores da Vrije Universiteit em Amsterdam e da Accare, o Centro para Psiquiatria da Infância e Adolescência no Centro Médico Universitário de Groningen, na Holanda, analisou os dados de 37 estudos anteriores, resultando em um total de 762,187 participantes, aonde 22,029 tinham TDAH, 434 tinham TOD/TC, 1,433 tinham trantorno de ansiedade, e 2,451 tinham depressão.

Os resultados mostraram que indivíduos com transtornos externalizantes (TDAH e TOD/TC) tinham maior risco de desenvolverem trantornos relacionados à uso de substancias mais tardiamente. Da mesma forma, depressão na infância estava associada com maior risco para vício, incluindo uso de substâncias e nicotina.

Os autores trazem algumas hipóteses para explicar este fenômeno, como a da auto-medicação de indivíduos com transtornos mentais, que ocorre para tentar minimizar os impactos negativos de seus sintomas, mas não há base científica que confirme esta hipótese com precisão.

Refêrencias:

Elsevier. “Childhood psychiatric disorders increase risk for later adult addiction: These findings emphasize the need for early detection and intervention.” ScienceDaily. ScienceDaily, 3 July 2017. <www.sciencedaily.com/releases/2017/07/170703083259.htm>.Annabeth P.

GROENMAN, Tieme W.P. JANSSEN, Jaap Oosterlaan. Childhood Psychiatric Disorders as Risk Factor for Subsequent Substance Abuse: A Meta-Analysis. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, 2017; 56 (7): 556 DOI: 10.1016/j.jaac.2017.05.004
Categorias: Artigo

Leonardo Seda

Estudante do 9º semestre de Psicologia no Centro Universitário São Camilo. Coordenador da equipe de graduandos no Estudo MAPPA. Aluno de iniciação científica do Prof. Dr. Guilherme Vanoni Polanczyk. Músico e piloto amador de kart nas horas vagas

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